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Parque do Zizo: 100% ornitológico
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O Parque do Zizo, cuja avifauna encontra-se em fase inicial de reconhecimento, está situado numa região privilegiada do ponto de vista ornitológico. Integra-se ao coração do chamado domínio da mata atlântica, numa região em que este bioma encontra-se melhor preservado no Estado de São Paulo, na Serra de Paranapiacaba. A avifauna dessa região foi relativamente bem estudada, em parte pela localização ali dos Parques Estaduais de Carlos Botelho e Intervales, com suas facilidades de visitação e hospedagem para pesquisadores. Para este último, já foram registradas pelo menos 364 espécies de aves, conforme compilação do Centro de Estudos Ornitológicos. Por sua localização, vizinha a estes Parques, certamente o Parque do Zizo deve albergar uma avifauna igualmente rica e constitui um desafio para os ornitólogos e observadores de aves constatarem isto.
Uma vantagem do Parque do Zizo, para os amantes da natureza e das aves em particular, é seu completo isolamento. Quanto ali estive, a impressão que me deu foi de que ali era o “fim da linha” e o começo daquilo que os mateiros da região chamam de “sertão”. No alto de um morro, numa espécie de mirante, pude contemplar quilômetros e quilômetros de mata intocada, subindo e descendo os mares de morros, numa visão certamente nada diferente daquela que tiveram os que ali pela primeira vez pisaram. Sentar neste lugar num amanhecer de primavera, colocar as mãos atrás das orelhas à moda de abanos e “escanear” a mata, com certeza já permitirá ouvir e identificar as vozes de dezenas de espécies de aves.
O Zizo tem também uma boa extensão de trilhas, permitindo percorrer todo o gradiente altitudinal da área, margear riachos e ambientes alagados, chegar a pontos elevados que permitem a observação do dossel da mata, visitando-se assim, todos os possíveis nichos ecológicos da avifauna e outros bichos.
Para resumir, eu diria que o Parque do Zizo é 100% ornitológico. Em minha estadia ali, em nenhum momento me senti impossibilitado de poder fazer um novo registro, pois mesmo recolhido ao aposento, dada a proximidade com a mata, foi possível ouvir com clareza vozes de algumas novas espécies. E enquanto almoçávamos ou tomávamos o lanche matinal, se aproveitavam dessa nossa imobilidade para chegarem mais perto, alguns graciosos beneditos, tidos por muitos como o mais belo pica-pau, juntos com alguns tiê-tingas, com os quais diariamente são compartilhadas umas bananas.
Luiz Fernando de Andrade Figueiredo Sec. Geral do CEO Centro de Estudos Ornitológicos
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